29 de mai de 2014

Entrevista com Steven Seagal

Entrevista de Steven Seagal para o Jornal Shambala Sun - concedida em Novembro de 1997.

(Traduzido por Paulo C. G. Proença -- Dojo Kokoro - Sorocaba).
*Entrevista no Instituto Takemussu, não é de nossa autoria


Nessa entrevista com o escritor de cinema Stanley Weiser, o expert em artes marciais e ator de cinema em filmes de ação, Steven Seagal, quebra o silêncio sobre seus vários anos de práticas budistas e lança críticas em relação ao reconhecimento recente, de ser uma incarnação de um Lama Tibetano.

Stanley Weiser: Em primeiro lugar, voce pode contar aos leitores um pouco sobre seu background na arte do Aikido --- por quanto tempo voce treinou, quem foram seus professores e quando voce atingiu o status de mestre?
Steven Seagal: Bem, o título de mestre --- no papel --- é uma coisa que eu provavelmente recebi na década de oitenta. Eu ainda não acredito que atingi esse nível de ser um mestre. Talvez algumas pessoas pensem que sou um mestre, mas em minha mente certamente não o sou.

Quando voce iniciou seus treinos em Aikido?
Lá pelos anos sessenta, comecei a treinar com Ishisaka Kiyoshi.

Voce se iniciou no Budismo como uma ramificação da sua disciplina das artes marciais?
Bem, para ser honesto com voce, eu não tenho certeza. Eu nasci com uma consciência espiritual muito séria e por muitos anos estudei vários caminhos. Fui ao Japão no final da década de sessenta e comecei a me envolver com Zen. Visitei mosteiros, estudando Budismo e recebendo instruções espirituais. Isso foi o começo para mim, do modo que achei que deveria ser --- o desenvolvimento físico de um homem através das artes marciais e o polimento do lado espiritual simultaneamente.

Voce também estudou acupuntura?
Certo. Essa foi a maneira pela qual fui primeiramente introduzido no Budismo Tibetano. Haviam muitos Lamas que tinham vindo do Tibet. Estavam doentes e haviam sido torturados. Por eu estar estudando acupuntura, me foi pedido para tomar conta de alguns deles, mesmo eu não sabendo falar a língua Tibetana. Conseguimos nos comunicar sem problemas. Acabei aprendendo Tibetano e me tornei muito amigo deles. Mais tarde, acabei me envolvendo em certas coisas que realmente não são o tipo de coisas que quando me recordo, me trazem boas lembranças. Era uma época quando os Kampas ainda estavam lutando com os Chineses e a CIA estava ajudando-os, e por causa da severa repressão que havia sobre o povo Tibetano, eu quis me envolver. Meu envolvimento foi mínimo. Esses foram os anos em que meu interesse em Budismo Tibetano foi despertado, mas meu envolvimento em quaisquer atividades espirituais e treinamentos continuaram assunto pessoal --- não secreto como algumas das outras coisas foram, mas pessoal. Foi uma época em que eu queria estar completamente invisível na comunidade dharma por várias razões. Somente nos últimos meses que eu apareci.

Voce pode nos dizer de seu envolvimento com os guerreiros libertadores do Tibet?
Acho que seria melhor se não entrássemos nesse assunto. Nós estamos tentando viver num mundo onde podemos escolher o caminho do meio e procurar harmonia, eu não quero parecer ser uma pessoa revolucionária perigosa, porque realmente não sou. Estou aqui na Terra para uma coisa e essa coisa é ver de alguma maneira posso servir a humanidade e aliviar o sofrimento dos outros.

Quem foi seu guru inicial?
Basicamente, para mim Sua Santidade Dilgo Mhyentse Rinpoche foi o maior, e hoje em dia, minha devoção á Minling Trichen e Sua Santidade Penor Rimpoche é muito forte.

Existem reportagens recentes que dizem que Penor Rimpoche o reconheceu como um tulku. Isso está correto?
Meu Deus, Essa não é a maneira que eu colocaria isso. Há uma revista muito vil que me fez acusações dizendo que eu subornei Penor Rimpoche e todos os outros lamas mais altos para me darem o reconhecimento. Bem, em primeiro lugar, esse é um reconhecimento que as pessoas já me disseram existir há mais de vinte anos, pessoas que eu conheci em dharma há muito tempo, muito antes de Penor Rimpoche formalizar isso. Foi algo que sempre mantive em segredo e até chequei a negar. Então, se eu neguei, porque eu subornaria alguém agora? Voce me entende, é tão estúpido. Eu não ligo que me insultem, mas é uma vergonha que as pessoas escandalizem o dharma e falem coisas más sobre Penor Rimpoche e outros lamas Nyingma mais altos.

Voce está dizendo que por m ais de vinte anos as pessoas vem dizendo que voce poderia possivelmente ser um tulku?
Existem pessoas que me dizem que sou um lama encarnado ou tulku. Penor Rimpoche basicamente me reconheceu como Kyung-drak Dorje, que foi a reencarnação do tradutor Yudra Nyingpo. De acordo com "Vidas dos Tertons" de Jamgon Kongtrul, Yudra Nyingpo foi discípulo do grande tradutor Berotsana e se tornou um estudante exemplar e chegou a mestre de meditação. Muitas de suas reencarnações, como a do tradutor de Minling Lochen Dharma-shri, conseguiram contribuir com o Budismo e parecem ter renascido em vários tertons (reveladores de tesouros).

Voce tem memórias de sua vidas passadas?
Desde o tempo em que comecei a ir a Índia e meditar, eu comecei a ter memórias que eram um pouco confusas. Há alguns dias atrás, eu estava sentado com um lama e uma das coisas que ele me disse foi que eu tinha várias marcas de muitas vidas passadas fortes, e devido a isso, minha percepção virá muito mais sutilmente que a de outras pessoas.

O que voce quer dizer com isso?
Não sei explicar, realmente. Mas com alguma coisa como ngondro, se voce treinar e treinar e dissolver-se no vazio com o treinamento e voce está se concentrando em bodhicitta mais do que qualquer coisa, voce provavelmente começará aos poucos a dissolver o véu de quem voce pensa que é e se transformará em sua verdadeira natureza, que é a combinação de todas as suas vidas passadas. Nós só temos que relembrá-las. É aí que o retiro é benéfico. É claro, quanto mais voce pratica, voce desenvolverá siddhis diferentes. Mas nenhum deles realmente importa. O que realmente importa é o que voce faz com sua vida. Em contraste com o que aquela revista tinha a dizer, quando uma pessoa me perguntava se eu era um tulku, o que eu tenho a dizer é que não creio que isso seja importante quem eu fui em minhas vidas passadas, eu penso que o que importa é o que soou nessa vida. E o que eu faço somente é importante seu eu puder aliviar o sofrimento dos outros, se eu conseguir fazer do mundo um lugar melhor, se de alguma maneira eu puder servir a Buda e à humanidade, se eu puder, de alguma maneira, plantar a semente de bodhicitta no coração das pessoas.

Então, contrário ao fato de muitas pessoas pensarem que esse reconhecimento foi um tipo de descoberta repentina, na verdade foi desenvolvida durante um longo período de tempo.
Oh, eu tenho feito meditações sérias da minha própria maneira por mais ou menos vinte e sete anos.

É um longo tempo. Os estudante tem que chamá-lo por algum título diferente?
As pessoas me chamam de todo o tipo de coisas, incluindo palavras de quatro letras (f...). Eu respondo a todos eles. Quando entro em algum lugar, algumas pessoas vêem um cachorro, algumas pessoas vêem uma vaca; eu sou tudo o que eles vêem, é a percepção deles. Mas eu acredito que a natureza Buda está em todos nós, mesmo em um malhado deitado num beco cheio de pulgas. O cachorro é Buda para mim. As pessoas podem me chamar do que elas quiserem, eu respondo a tudo.

Voce deu uma palestra pública em Santa Bárbara - Califórnia, recentemente.
Eu transmiti ensinamentos, sempre ensinamentos sobre Buda. O Dalai Lama me disse para me concentrar em bodhicitta. É isso que eu sinto que gostaria de fazer.

O Dalai Lama lhe deu instruções particulares sobre ensinamentos?
Eu não diria que ele me deu instruções particulares sobre ensinamentos. Mas ele me deu instruções pessoais e me convidou a vir a outros ensinamentos dele. Eu também estudaria, espero, com Trichen Rimpoche e Penor Rimpoche --- esses são alguns dos lamas que eu acho ser professores extraordinários e grandes mestres, e tenho a sorte de me ser dado algum tempo com eles. Tenho esperança de que, estando sentado com eles, eu absorverei algum conhecimento ou sabedoria em como transmitir o pouco que eu já sei.

Quando voce se tornou uma estrela de cinema, no que isso afetou seu ego? Voce perdeu o controle? Os ensinamentos devem ter sido duros de aprender, considerando que tentavam te explorar e/ou abusar?
Mesmo quando eu estava no Japão, as pessoas tentavam me endeusar, e a razão pela qual eu saí de lá é porque esse "endeusamento" é uma grande e mortal armadilha. Essa é a razão pela qual eu mantive minhas práticas espirituais para mim mesmo, na América. Não acho que ser tido como um deus foi meu maior problema na vida porque tive a sorte de ter compreendido há muito tempo que, o que a adoração e o poder realmente são. Acho que o maior obstáculo foi somente a falta de entendimento do jeito que seria.

Há um ditado Budista que diz, "Trabalhe com as grandes sujeiras/corrupções primeiro". O que voce diria que foi a maior decepção que voce teve que enfrentar nessa vida?
Foi não entender realmente a diferença entre desejo de perfeição espiritual para o benefício de todos os seres perceptivos/conscientes e me alimentar com isso. Foi aí que eu me confundi em minha juventude, eu pensava que se eu pudesse me alimentar espiritualmente até atingir altos níveis espirituais, daí então eu poderia fazer coisas melhores no mundo e seria bom para mim e por conseqüência seria bom para todos os outros. Eu era ignorante e tolo até entender que a base de tudo tem que vir primeiro com o benefício de todos os seres conscientes. Isso foi um grande obstáculo para mim e me causou muito sofrimento.

Voce acha que o reconhecimento é um meio de acelerar esse processo?
Espero que sim.

Quais práticas de meditação voce faz?

Eu faço ngondro e faço yoga guru, essa é uma grande forma de meditação para mim. Faço práticas secretas que sou autorizado a fazer.

Voce faz adorações?
Adorações são minha coisa favorita no Universo. Nesse momento estou tentando simplificar todas minhas práticas que estão em minha cabeça, todos os tantras que tentei aprender e estou tentando me concentrar em bodhicitta. Quando fico meio esotérico no campo dos tantras, me perco um pouco. Daí eu entendo a sabedoria de meus professores quando eles me dizem para voltar ao início e me concentrar em bodhicitta. Não sou um ser altamente iluminado, não sou um grande lama, não tenho nenhuma grande prática. Sou uma pessoa bem simples tentando chegar na primeira base e a mais prática de Bodisattva. Estou iniciando memorizações humildes, meditações e orações.

Por quanto tempo voce pratica?
Não tenho um relógio particular. Eu não marco quanto tempo pratiquei, mas eu diria que é por mais ou menos por duas horas na parte da manhã e por duas hora na parte da noite. Na vida corrida do cinema com o caos e o ego incerto, onde está seu senso de equilíbrio?

Como voce se segura nesse mundo?
Eu realmente não me importo com o que as pessoas pensam ou falam de mim. Quando voce pergunta, o que me dá conforto na alma e acalma o samsara, é o Guru Rimpoche, o Deus Buda e todos seus protetores, dakas e dakinis. Eu caminho diretamente para essa cidade e contribuo dando o pouco que sou capaz.

Em quais outros projetos voce tem gasto seu tempo?
Eu quero poder alimentar as crianças que estão morrendo de fome e doentes no Tibet. Quero trabalhar em projetos inicialmente com crianças que estão morrendo de fome e doentes. Também estamos tentando fazer algo para as pessoas com problemas nos olhos no Tibet. Muitos dos mosteiros necessitam de ajuda. Quando aquela revista disse essas coisas erradas sobre meus professores, o que eles não quiseram mencionar é que eu dôo tradicionalmente grandes parcelas em dinheiro para várias organizações religiosas diferentes. Fiz isso em segredo, mas parece que, no que chamamos de "crença da imprensa", não há lucro quando se reporta feitos bondosos. Eles preferem notícias más, mesmo que tenham que fabricá-las.

Parte disso, eu acho, é a inabilidade deles conciliarem sua imagem no cinema com sua imagem de homem espiritual.
Atuar é uma arte. É a intenção que seja uma arte. Um de meus professores disse que a arte é a mãe da religião; nos tornando um com nós mesmos e com a natureza, nos tornamos um com Deus. Não estou dizendo que sou um grande artista; provavelmente eu seja um artista fraco, mas o ponto é que consegui através desse veículo, espalhar o dharma e ajudar outras instituições religiosas pelo mundo, desde Judeus, Católicos até os Hindus.

O que voce faz com toda essa raiva desenfreada que provém desse negócio traiçoeiro. Sendo um Budista, como voce responde a isso?
Sou humano, quando me machuco eu sangro como qualquer um. Quando isso acontece, é melhor trazer seus problemas em suas práticas. Sobrepondo sua raiva, dor e apego, nos tornamos mais fortes, voce leva isso a Buda, até os protetores, e nos purificamos.

Seu tipo no cinema, é o de uma pessoa nobre e forte protegendo os inocentes e oprimidos dos gangsters, traficantes de drogas e terroristas. Nos personagens que voce interpreta, voce é forçado a enfrentar a violência com violência. Quando voce se vê na tela, como voce concilia a carnificina com o estilo de vida de uma pessoa que pratica os ensinamentos de compaixão e não-violência?
Bem, não acho que uma ciosa tenha a ver com a outra. Acho que a arte imita a vida e sua função deveria ser uma perfeita e exata interpretação de como a vida realmente é, em todas as suas emanações. Sou um artista procurando aperfeiçoar e progredir em seu trabalho, mas ao mesmo tempo tenho meus sentimentos sobre a violência. Eu estava sob o contrato da Warner Brothers que eu não conseguia sair, e o que eles queriam de mim era que fosse somente o homem nos filmes de ação. Foi me oferecido somas extraordinárias em dinheiro por outros estúdios para que fizesse outros tipos de filmes e a Warner Brothers não me liberava. Agora que estou fora daquela situação, terei a oportunidade de fazer os tipos de filmes que eu realmente gostaria, que certamente terão uma natureza espiritual e que levarão as pessoas à contemplação e oferecerá a elas prazer.

Okay, última pergunta. Entendendo a inseparabilidade de samsara e do nirvana, o que voce diria que é e melhor coisa em ser Steven Seagal e qual a pior coisa em ser Steven Seagal?

Como voce sabe, eu fui criado em Zen e não olho para a minha vida em termos de melhor ou pior...

Eu quis dizer de um ponto de vista relativo...
A coisa que mais aprecio e agradeço são os professores que me permitiram ter um pouco mais de sabedoria e conhecimento que é o que me mantém respirando agora. Tenho que agradecer pela habilidade que possuo na tela do cinema para trazer às pessoas prazer e felicidade e à habilidade que tenho esperança de ter no futuro, para trazer as pessoas ao Caminho da contemplação. Em termos de coisas ruins, considero ser meus piores inimigos e meus piores sofrimentos os meus maiores professores, para que haja sempre um outro lado para essas forças negativas.

Muito Obrigado!

Muito obrigado. 


FONTE: Instituto Takemussu
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11 de abr de 2014

ENTREVISTA COM NIELSEN AMARAL


ENTREVISTA COM NIELSEN AMARAL
Mestre em QWAN KI DO
 COM QUAL IDADE SURGIU O INTERESSE PELO QWAN KI DO? E POR QUÊ?
Muito novo desde 8 anos queria aprender arte marcial, mas meu interesse pelo Qwankido foi acidental e ao acaso. Na década de 80 tinha uma série chamada O Mestre, que me despertou pra isso, também influenciou os filmes da sessão faixa preta que passam na tv, mas minha mãe nunca deixava eu me matricular pois eu era pavíl curto e ela temia que eu piorasse com a prática. Até que aos, 12 anos apanhei na rua e meu pai me levou numa academia de arte marcial que oferecia duas modalidades Taekwondo e Qwankido, uniforme branco ou uniforme preto, optei pelo preto que sujava menos, após um ano de treino, na época eram 3 horas diárias, tive minha revanche com o carinha que era bem mais velho e aí começou minha paixão pelo Qwankido, pois, realmente funcionava contra gente maior e mais forte.
COMO É SUA RELAÇÃO COM SEU MESTRE?
Minha relação com meu mestre hoje vai muito mais do que discípulo e mestre, sou uma das três pessoas de sua extrema confiança ao ponto dele procurar saber minha opinião sobre as diretrizes para a arte no Brasil, também somos amigos, um dos raros discípulos que frequenta a sua casa, viajamos juntos pra outros países de férias ou pra participar de eventos, treinamentos etc., contudo, isso foi conquistado gradativamente, fui muito observado, cobrado, testado, provocado, punido, repreendido ao longo de quase três décadas de prática. Mas só passei a compreender e entender a riqueza contida na sua dureza e quase inflexibilidade para comigo depois de passar a ensinar o Qwankido. Tudo o que ele me dizia virou realidade no campo marcial e na vida, mesmo sendo descrente certo momentos, mas sempre paguei pra ver,  e no final ele sempre esteve certo, isso me facilita muito hoje, pois, as situações que ocorreram comigo e com ele se repetem agora comigo e meus discípulos e procuro agir como ele agiu, uma vez, que já sei o resultado final. Meu mestre é um porto seguro pra mim, somos amigos, porém, nunca ouso esquecer que muito mais que amigo ele é meu mestre e jamais vai deixar de ser, faz parte mim, e se sou o que sou, e cheguei aonde cheguei no Qwankido, devo tudo a ele. Nunca vou me esquecer do que ele me disse na França em 2012 quando fui homenageado pelo Patriarca do Qwankido no seminário internacional. “O Qwankido sempre vai continuar com ou sem você, sempre faça por onde merecer”.
UM FATO QUE TE MARCOU NA VIDA MARCIAL:
Na verdade foram vários, cada graduação conseguida, a primeira aula que dei, quando inaugurei minha própria academia, quando formei o meu primeiro faixa preta etc., mas tem dois momentos em especial. O primeiro, foi quando em conversa particular com o Grão Mestre Pham Xuan Tong fundador e patriarca do estilo, pude contar toda minha vida e trajetória e o quanto o Qwankido significava em minha vida, o velho mestre se levantou fez uma reverência pra mim e num abraço me agradeceu dizendo que o que ele criou só tem importância e valor porque pessoas como eu ao redor do mundo acham que tem valor e que é importante, portanto, era ele que sempre terá que nos agradecer e não o contrário. E o segundo momento foi quando meu filho de 9 anos se apresentou sozinho na frente dele fazendo um quyên (tao lu) avançado, em pleno seminário internacional e foi ovacionado  e aplaudido por todos no ginásio em especial pelo próprio patriarca, ninguém naquele dia obteve aquele feito.
PRA VOCÊ QUAL A MAIOR EFICIÊNCIA DA ARTE?
O poder de transformar em algo que você pode até ter sonhado em ser, mas não tinha noção do quanto te custaria pra conseguir. E saber que a busca é constante e infinita pela sáude, conhecimento e equilíbrio.
QUAL A ORIGEM DO QWAN KI DO?
O Qwan Ki Do ou Quan Khí Dao  é uma arte marcial de dupla nacionalidade, ou seja, sino-vietnamita, uma vez que é o estudo de 4 estilos de kung fu chinês provindos do mestre Chau Quan Ki um hakka e monge taoísta da província de Quang Dong que se naturalizou vietnamita e 4 estilos de Võ (arte marcial) vietnamita provindos de Pham Truu tio avô do mestre Tong. O QKD foi fundado em 1981 em solo Francês por um dos maiores especialistas em artes maciais radicado na Europa ainda vivo o Grão Mestre Pham Xuân Tong  por considerar o chinês Chau Quan ki como seu principal mestre , o qual lhe deixou como herdeiro de sua escola Ho Hac Trao (punhos do tigre e da garça branca), mestre Tong homenageou seu mestre fazendo referência fonética de seu nome ao estilo criado. Chau Quan Ki , Quan Khi Dao ou Qwan Ki Do.
QUAL A DIFERENÇA DO QWAN KI DO E AS DEMAIS ARTES MARCIAIS?
O Qwankido , subdividi-se em quatro disciplinas Dao Tu Do (combates) Vu lan (dança do Leão e Dragão), Co Vo Dao (armas) e Tham Thê (ginástica psicocorporal uma espécie de Tai chi chuan e o estudo de energia Ki) é uma arte extremamente completa trabalha com chutes, socos, formas (tao lu), luta combinada, exercícios de automação, imobilização, projeção, trabalho de chão, mas a diferença é a metodologia de ensino, mestre Tong é Especialista em Biomecânica do Corpo além de formado em Educação Física pela Sorbone – Fr esse conhecimento científico foi inoculado no estudo do estilo e prática do mesmo.
O QWAN KI DO FAZ O USO DE ARMAS (COMO NO KUNG FU) TAMBÉM?
Sim, o trabalho com armas é denominado Co Vo Dao onde o aluno treina duas armas  por nível uma corte e outra contundente, exemplo bastão e lança, facão e tonfa etc., as armas no Qwankido são na sua grande maioria as chinesas claro mudando o nome à exemplo do Dao chinês que chamamos de Ma Dao, o Pu Dao que chamamos Dai Dao, assim por diante, mas outras armas como a katana, kalis, tonfa e nuntchakus, também, são utilizados com seus respectivos nomes vietnamitas, exemplo katana ou Miao Dao chinês  chamamos de Gu on, kalis é Son Cut,  tonfa é Mo Can e Nuntchakus são os Long gian. Existe também graduações nas armas So cap (iniciante) Trung cap (faixa preta)  Thuong cap (Experte).  O Sabre vietnamita Gu on tem uma longa tradição milenar dentro do Vietnã e muito respeitado por espadachins asiáticos incluindo os japoneses, o sabre em especial do qwankido vem de uma longa linhagem na família do mestre Tong que remonta a mais remota dinastia monárquica no Vietnã; o sabre Gu on da família Tong, descende do principal decaptador da 1ª dinástia vietnamita. A técnica consiste ao invés de decaptar totalmente como os japoneses, a técnica do qwankido é deixar a cabeça habilmente dependurada ainda ao corpo por uma pequena porção de pele com um único golpe preciso, limpo e meticuloso. O bastão vietnamita também é muito respeitado e poderoso; a primeira aula que fiz de Bo (bastão) com o Mestre Tong (herói de guerra vietnamita) ele segurando o bastão de ratam bem firme disse: “Os americanos jamais vão esquecer isto aqui, perderam a guerra pra ele” referindo-se ao bastão.
VEMOS NO MUNDO DE VÁRIAS ARTES COMO KUNG FU, KARATÊ ENTRE OUTROS ALGUMAS DEZENAS DE PICARETAS, ISSO ACONTECE NA SUA ARTE TAMBÉM?
Sim acontece infelizmente, contudo no Brasil conseguimos erradicar com muitos processos judiciais indenizatórios e ordens de fechamento, pois o Qwankido e tudo que se refere a ele (programa técnico, histórico, vestimenta, etc) é patenteado e nossa assessoria jurídica nacional foi implacável. 
QUAL SEU MAIOR OBJETIVO HOJE?
Ter uma organização de 5000 mil praticantes a exemplo dos países europeus onde o estilo é muito forte e muito conhecido. Meu grande sonho também é receber a faixa coral (6º a 7º Dang) das mãos do próprio fundador mas se não for por merecimento será impossível no contar do tempo normal para atingir tão alto nível, pois hoje o Grão Mestre já é um ancião.
QUAL MENSAGEM QUE VOCÊ DEIXARIA AOS NOSSO LEITORES? 

A debilidade ou a excelência de um guerreiro não provém do estilo pois todos são bons, todo e qualquer resultado advém do próprio praticante. Toda arte marcial é instrumento de autoconhecimento e aperfeiçoamento saiba usá-la com honra e sabedoria, seja digno de seu estilo e de seu mestre. Seja forte para ser útil.


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14 de dez de 2013

Entrevista com Sifu Florentino e os esclarecimentos da AWCA



Mestre Florentino, poderia nos dizer ao que atribui o grande crescimento de sua organização, a AWCA – Associação Wing Chun Aplicado?

R: Claro! Diversos fatores têm levado a AWCA ao rápido e expressivo crescimento, dentre eles, a profissionalização dos instrutores por meio da formação pedagógica, da qual, como Pedagogo e Educador Físico, aplico lições importantes destes ensinos ao lecionar em meus cursos para formação dos representantes.  Conseqüentemente, estes instrutores formados, passam a transmitir em seus ensinamentos, técnicas de luta com esta base pedagógica, tornando-os cada vez mais qualificados ao ensino, alem do que, não cobro taxas de filiação e anuidades de meus representantes, o que todas as demais associações fazem, dificultando muito a inclusão destes no mercado marcial. Cuido de meus discípulos como um pai cuida de seus filhos. Não somente orientando, mas também, auxiliando-os em suas jornadas de vida.
Qual processo é seguido para que seus alunos consigam abrir suas unidades tão rapidamente? ... Quero dizer, como pode, em uma formação tão curta, já se posicionarem como instrutores?

R: A formação não é curta, o curso completo demanda cerca de quatro anos. Os mais novos, aos passarem pelo internato de uma semana, recebem orientação pedagógica e treinam a carga horária de oito meses, onde aprendem o conteúdo técnico de uma fase (treinos diários das 09h00 as 23h00), então, adquirem a autorização temporária de representação sob minha supervisão, o que significa que, apos transmitirem o que lhes ensinei no internato, vou até suas unidades fazer a correção no aprendizado destes alunos, de maneira que, nenhum ensino fique equivocado.

Então, estes instrutores têm a autorização de ministrar as aulas, mas, somente ao senhor, como “Sifu” cabe a avaliação e certificação do curso?

R: Exato. Estes instrutores, apesar de capacitados pelo internato, ainda não são plenamente formados. Cada um é considerado "Si-hing" (aquele que ensina como um irmão mais velho). Então, cabe somente ao “Sifu” (aquele que ensina como um pai) a formatura de todos os alunos. Desta maneira, todo instrutor estará sempre amparado por minha pessoa, bem como, seus alunos. Todos saberão que o Sihing é o "instrumento" de ensino deles, mas, será o Sifu quem os corrigira e apontará seus erros e onde treinar para melhorarem e avançarem rumo à formatura.

Mestre, muito se foi dito sobre sua saída da “Applied Wing Chun Brasil – AWCB”, e não querendo entrar nos méritos desta questão, mas, fazendo certa referência, o senhor mudou o nome de sua associação que se chamava “Associação Li Hon Ki – ALHK” para “Associação Wing Chun Aplicado – AWCA”. A pergunta é: O senhor assim o fez por que deseja que as pessoas saibam que seu ensino é o Applied Wing Chun, uma vez que “Aplicado” é a tradução de “Applied”?

R: Muito pertinente esta pergunta, e até interessante para elucidar a dúvida de todos os que me procuram para aprender o “Wing Chun Aplicado”.
Bem, todo o conhecimento que transmito vem da linhagem de Duncan Leung. Tanto as técnicas básicas que aprendi com meu antigo mestre, bem como, as técnicas avançadas que aprendi na China com mestre Duncan e também, com mestre Allan Lee. Sendo assim, não posso negar que o que transmito vem deste conhecimento, porém, como me desvinculei da Associação Applied WC Brasil - AWCB, minha didática de ensino segue moldes próprios, não tendo qualquer relação com os métodos transmitidos pela ACWB.

Isso quer dizer então, que o senhor desenvolveu suas técnicas de Wing Chun a partir deste conhecimento?

Claro que NÃO! As técnicas que ensino são exatamente nos moldes que aprendi, inclusive, faço questão de dar a todos os instrutores, copia das filmagens de meu aprendizado na china, onde, constam os mestres Duncan Leung, Allan Lee, Florian Walter entre outros me ensinando tais técnicas, “uma-a-uma”, fidelizando assim, o ensino que transmito, principalmente nos níveis avançados do sistema.
Minha consideração foi referente à metodologia deste ensino. Vou explicar melhor: Se você aprender o idioma inglês em alguma escola particular, você não pode simplesmente sair por ai dizendo que o inglês que você ensina é o mesmo do método da escola em que você aprendeu, pois, essa escola tem seus direitos de ensino reservado, ainda assim, o que você estará ensinando será o “idioma inglês”, mas, para isso, terá que ser com seu método de ensino e não com o método de ensino da escola em que você o aprendeu. Mesmo inglês... Método diferente de ensino - Mesmo Wing Chun... Método diferente de ensino.

Mas isso não estaria descaracterizando a linhagem?

R: Não vejo desta maneira, pois, é sabido que, mestre Duncan ensina com método completamente diferente do método que aprendeu de seu mestre Yip Man, que em verdade, não tinha método. Ensinava de maneira diferente para todos os alunos. De acordo com os vários alunos de Yip Man, suas aulas eram baseadas no aproveitamento individual de cada aluno, ou seja, ele aproveitava o que o aluno tinha para oferecer. Se ele via que um aluno tinha mais facilidade com as pernas, ensinava mais chutes, já outros, com mais facilidade nas mãos, ensinava mais socos, e assim por diante. Isso tem seu lado positivo, mas também, o negativo. Positivo, pois, preparava seus alunos rapidamente para o combate real. Negativo, pois, privou os futuros alunos de seus alunos de certos aspectos técnicos que sua primeira geração não demonstrou aptidões para aprender, e graças a isto, temos as diferentes linhagens hoje em dia.

Neste caso, poderia nos dizer em que consiste seu método de ensino?

R: Sim! Como dito no começo, devido à minha formação acadêmica, consiste no desenvolvimento pedagógico, ou seja, tudo é ensinado respeitando as limitações de cada indivíduo, e no seu tempo, bem como, o desenvolvimento motricial para cada técnica. Quer dizer, não se pode colocar telhado numa casa sem que esta tenha paredes que a sustentem, e não só isto... Tem-se que saber o peso certo que estas paredes suportarão, ou então, o telhado desabará. Desta maneira ensino o Wing Chun Aplicado... Passo-a-passo, respeitando os limites de cada um, de maneira que nada falte para as gerações futuras. Vejo muitos mestres por aí mostrando uma técnica para todos na sala, e logo após, sentarem-se e apenas os apreciar praticando. Isso não é bom. Não procedo assim. Fico atento o tempo todo com meus alunos, corrigindo-os sempre que vejo a necessidade. Chego a ser um tanto chato neste sentido, mas, tenho a certeza que eles, ao retornarem para suas unidades, levarão como bagagem, um conteúdo estável, tendo um mínimo de dúvida para elucidarem, alem do mais, meu método de ensino tem um apego muito forte a “família Wing Chun”, na qual, todos os membros devem desenvolver quatro virtudes básicas, a saber: Humildade, paciência, discernimento e conhecimento. Tudo em nossa família é discutido em grupo. Não sou um mestre ditador, o qual fala, e seus alunos por medo obedecem. Sou um mestre amigo, que orienta, mas, que também solicita conselhos do grupo, para que a decisão final reflita o pensamento coletivo de nosso grupo.
 
O que o senhor deixaria como conselho para o aspirante a “Sihing AWCA”.

R: Que venha confiante no amparo de sua família AWCA, não somente em seu Sifu, mas, em todo o grupo, pois, somos uma família que cresce em união, e a única coisa que pedimos em retribuição é a sinceridade e honestidade. 





Site da AWCA : www.awca.com.br
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26 de mai de 2013

Entrevista com Sifu Alex lo



ENTREVISTA COM ALEX LO (Lo Hsiang Chi)

 Sifu Alex lo (Lo Hsiang Chi) é discípulo “Indoor”(dentro da Sala) do renomado Grãomestre Frank Yee.
Presidente da Yee's Hung Ga no Brasil.

COMO SURGIU O INTERESSE PELAS ARTES MARCIAIS?
            Ao contrário de outros mestres e professores, na minha adolescência eu não gostava de artes marciais. Nem mesmo gostava de esportes. 
A minha entrada para as artes marciais ocorreu aos 22 anos, por achar que estava sedentário. No terceiro ano da faculdade, quando iniciei um estágio, percebi que eu saía da cadeira do trabalho para a cadeira da faculdade e isso não era saudável. Precisava me mexer e achei legal tentar uma arte marcial, como perto de minha casa havia uma escola de Kung Fu esta foi a modalidade escolhida.
            Daí por diante nunca deixei ela, apesar de todas as dificuldades e decepções que encontrei no caminho, as alegrias e satisfações são bem maiores.
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19 de mar de 2013

Entrevista com Professor Cleber Souza



Entrevista com Professor Cleber Souza
“ACADEMIA KUNG FU XUEXIAO”


1.    Como surgiu o interesse pelas artes marcais?
Minha mãe dizia que o médico precisou me bater três vezes para depois eu chorar, eu brinco dizendo que as duas primeiras palmadas, eu defendi. Assim como a maioria dos meninos de minha época, gostava muito de sair dando golpes, saltos e voadoras como o Jiraya, Jaspion, Changeman e outros personagens marcantes daquela época. Meu pai era faixa preta de Hapkido e me ensinou alguns golpes que me deixou fascinado, e o caminho me trouxe até o kung fu.

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31 de jan de 2013

Entrevista com Jackie e Jaden Smith (Inglês)

Entrevista com Jackie Chan e Jaden Smith no
Lopez Tonight

Na entrevista Jackie diz como recebeu o convite para o Filme, além de revelar detalhes sobre os bastidores e o treinamento de Jaden.

Obs: A Entrevista está em inglês 
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23 de out de 2012

Entrevista com Tony Leung EUA (Inglês)

Tony Leung nasceu no dia 27 de junho de 1962 em Hong Kong. Seus pais se divorciaram quando Tony era muito pequeno. Aos 15 anos da idade, Leung abandonou a escola e acabou tendo que aceitar vários trabalhos para ganhar a vida. Foi, além de outros, vendedor de jornais e contabilista. Em 1982, através do empurrão de seu amigo, Stephen Chow, um famoso comediante local, Leung entra no curso de formação de artistas da TVB, uma emissora de TV da região. Depois um ano de estudos, Leung se tornou oficialmente num ator desse poderoso meio de comunicação: a televisão.

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10 de out de 2012

Entrevista com Sifu Marcos de Abreu

Sifu Marcos de Abreu



Professor de Educação Física
Autor do Livro "Kung Fu Wing Chun"
Mestre de Wing Chun
Discípulo do Grande Mestre Li Hon Ki
Estudante do método Applied Wing Chun



·        1. Porque escolheu o Wing Chun como sua arte Mãe?
SiFu Marcos – Eu comecei nas artes marciais muito cedo, aos cinco anos já praticava Judô, mas durante a adolescência eu era praticante de karatê e havia lido um livro do escritor Marco Natali chamado O Kung Fu de Bruce Lee, ficando, é claro, muito impressionado. Aos doze anos, com um corpo ainda muito franzino, meus braços ficavam ralados e machucados quando eu enfrentava em combate meus colegas mais velhos e fortes. Talvez por querer uma saída mais fácil, talvez por não haver entendido a técnica, eu pensava cada vez mais nas idéias de Bruce Lee, que originalmente era um lutador de Wing Chun antes de criar o Jeet Kune Do.
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